Por Renata Bezerra de Melo

Os próprios socialistas, nos bastidores, já definem a deputada Marília Arraes como a carta que os petistas – favoráveis à aliança com a Frente Popular – tem na manga para barganhar espaços nas gestões socialistas. Na ala do PT que defende o projeto majoritário de Marília, reina um raciocínio similar, mas levando em conta um horizonte mais elástico: 2022. Leia-se: na hipótese de Marília vir a ser eleita prefeita do Recife este ano, nada impede que ela venha a apoiar uma candidatura de Geraldo Julio ao Governo do Estado em 2022. Esse cálculo leva em conta que a petista não deixaria a gestão municipal, com pouco mais de um ano de mandato apenas, para concorrer ao Palácio das Princesas. A hipótese de ela vir a se aliar ao PSB em 2022, apesar das divergências vigentes, não é vista como um absurdo nas hostes petistas. E tal cenário poderia acarretar um consequente apoio do PSB ao projeto presidencial do PT, a ser encabeçado por Fernando Haddad. Em outras palavras, se o PT rifar Marília agora, ficaria sem um “trunfo” para negociar com o PSB em 2022. Se a candidatura dela for retirada mais uma vez, as chances de ela permanecer no partido são ínfimas. E ela acaba sendo, hoje, o motivo mais determinante para o PSB manter a ponte com o PT. Mais um cavalo de pau do PT no plano de Marília encabeçar uma chapa majoritária fará ela sair vitimizada do processo e solta para concorrer ao Governo do Estado em 2022, ainda que por outra sigla, que não seja o PT, que, por sua vez, já não terá mais instrumento para pressionar o PSB na corrida presidencial.

PL, PSC e Daniel
Nos bastidores da Oposição, o apoio do PL e do PSC à pré-candidatura de Daniel Coelho à Prefeitura do Recife já é dado como certo. Há quem assegure que o PSL, de Luciano Bivar, também integraria esse conjunto. A dificuldade maior seria fazer a delegada Patrícia Domingos abrir mão de concorrer em prol da unidade em torno de um nome. 

Do PT… > A deputada estadual Teresa Leitão não vê com bons olhos o argumento do vereador do Recife, João da Costa, apresentado à coluna, de que “dividir o campo progressista facilitará a eleição para os postulantes bolsonaristas”.

…para o … > Na visão de Tersesa, isso configura um “jogo de desgaste” do projeto de Marília. Ela chama de “aliancistas” os que defendem a manutenção do PT na Frente Popular e o consequente apoio à pré-candidatura de João Campos, do PSB. 

…PT > Teresa, então, defende o seguinte: “Os aliancistas daqui poderiam se conformar e entrar na campanha do PT contra Bolsonaro com toda força. Pelas pesquisas, Marília tem muito mais chances de derrotar a direita do que João Campos”.

No radar > Pré-candidato a prefeito de Olinda, o deputado estadual João Paulo pode ter, na vice, Manoel Sátiro, do PDT. Ex-vereador da cidade, Sátiro seria o nome indicado pela legenda para a vaga. Na semana passada, João Paulo e Manoel participaram de reunião virtual que marcou a posse da nova direção do Movimento Comunitário Trabalhista.

Crocs > Tem deputado federal participando das sessões remotas vestindo terno na parte de cima, sem abrir mão do pijama na parte de baixo e, de quebra, combinando esse mix com um crocs nos pés.