Antes da videoconferência de hoje com o presidente Jair Bolsonaro, o Fórum Nacional de Governadores agendou reunião prévia para manhã de ontem – durou 50 minutos. Objetivo: alinhar o entendimento sobre a pauta com o chefe do Planalto. Os governadores presentes convergiram num sentido: não querem polêmica com o presidente da República. Vão concentrar atenções na necessidade de imediata sanção do PLP 39/2020, que cria o Programa Federativo de Enfrentamento ao Coronavírus. O governador de Pernambuco, Paulo Câmara, que testou postivo para Covid-19 na última segunda-feira, foi representado, no encontro de ontem, pelo secretário da Fazenda, Décio Padilha. Hoje, o chefe do Executivo estadual irá participar da conversa, convocada por Bolsonaro, como antecipamos na última segunda-feira no Portal da Folha de Pernambuco, às 10h. Ao menos, é o que está programado. Com sintomas leves, Paulo Câmara segue trabalhando remotamente.

Se os governadores estão destinados a manter a harmonia com Bolsonaro, por outro lado, acenderam o sinal amarelo desde a semana passada. Motivo: o PLP 39/2020 foi aprovado pelo plenário do Senado no último dia 6 e liberado para sanção do presidente no dia seguinte. Mas Bolsonaro não sancionou. Tem prazo de 20 dias para isso. Há pressa dos gestores em compensar a queda na arrecadação do ICMS, cuja média nacional é de 40% para o mês de maio. O risco é não ter recursos para cobrir as despesas elementares. Secretários da Fazenda dos 27 estados aguardam que esses recursos cheguem até o próximo dia 29. Apesar da bandeira branca, não passa batido, aos governadores, que Bolsonaro está em bola dividida com o ministro da Economia, Paulo Guedes, em relação à flexibilização do congelamento de salários dos servidores públicos, patrocinada, na Câmara Federal, pelo líder do governo Major Vitor Hugo, e acatada, no Senado, como dispositivo do projeto, que aguarda sanção. Guedes não aceita. A fatura pode chegar para os governadores. Mas, até segunda ordem, a regra para hoje é não brigar.

Da – Folha