Os mandados de prisão temporária cumpridos pela Polícia Federal (PF) na última sexta-feira (8), com a deflagração da segunda fase da Operação Outline, foram direcionados a dois secretários da Prefeitura do Recife. De acordo com as investigações, Schebna Machado de Albuquerque e Silvano José Queiroga de Carvalho Filho, secretários executivos do Trabalho e Qualificação e de Empreendedorismo, respectivamente, fariam parte de uma organização criminosa suspeita de desviar recursos públicos destinados à requalificação da BR-101. Ambos são ligados ao deputado federal Sebastião Oliveira (PL-PE), que também foi alvo da operação.

Segundo a apuração da PF – realizada em parceria com o Ministério Público Federal (MPF), Tribunal de Contas da União (TCU) e Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE) -, o grupo teria praticado os crimes de organização criminosa, corrupção e lavagem de dinheiro no âmbito do Departamento de Estradas e Rodagens do Estado (DER-PE), onde Machado e Carvalho trabalharam, e da Secretaria de Transportes, pasta que foi comandada por Sebastião Oliveira entre 2015 e 2018, no primeiro mandato do governador Paulo Câmara (PSB). Inicialmente, os nomes dos presos não foram divulgados devido a restrições impostas pela lei de abuso de autoridade, mas fontes ligadas à investigação repassaram, em reserva, a informação para a reportagem do Jornal do Commercio.

Nos últimos anos, Schebna Machado e Silvano Carvalho ocuparam vários cargos públicos em Pernambuco. Administrador, Machado foi funcionário do Banco do Brasil e, ainda no governo Eduardo Campos (PSB), em 2013, passou pela diretoria administrativa e financeira do Porto do Recife, onde também atuou como presidente. Há registros de passagens suas pela Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) e pela superintendência administrativa e financeira da Procuradoria Geral do Estado. Em 2015, já com Paulo no poder, foi nomeado diretor de Gestão e Logística do DER-PE e em 2019, antes de seguir para a PCR, passou para a diretoria Administrativa Financeira do órgão.

Carvalho, por sua vez, é formado em engenharia civil e foi secretário municipal em Jaboatão dos Guararapes entre 2005 e 2006, durante a gestão do prefeito Newton Carneiro. Ele também passou pelo Porto do Recife na mesma época que Machado, quando assumiu a diretoria de Projetos e Obras. Segundo histórico publicado no site do terminal à época da nomeação, Carvalho “foi supervisor chefe da duplicação da BR-232 e supervisor no trabalho de duplicação da BR-101”. Presidiu o DER-PE até fevereiro de 2019, quando foi exonerado a pedido, para ficar à frente da Secretaria Executiva de Empreendedorismo do Recife.

Na semana passada o DER-PE limitou-se a informar, por nota, que está à disposição da PF e que “vem contribuindo com as investigações para esclarecer qualquer dúvida de ordem técnica ou jurídica referente às obras de requalificação da BR-101”. O Palácio do Campo das Princesas não quis comentar o caso.

Segundo informações do Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE), tanto Schebna Machado quanto Silvano Carvalho são filiados ao Avante e fazem parte da comissão provisória que comanda o partido atualmente em Pernambuco, ambos como tesoureiros. A esposa de Silvano, Priscilla Ferraz Magalhães Queiroga de Carvalho, é segunda vice-presidente da sigla. O Avante pernambucano é presidido por Waldemar Oliveira, suplente de senador e irmão de Sebastião Oliveira. O partido não se pronunciou sobre as prisões.

Sebastião Oliveira foi o responsável por indicar, na última semana, Fernando Marcondes de Araújo Leão, ex-gerente-geral do Procon em Pernambuco, para o comando do Departamento Nacional de Obras contra a Seca (DNOCS), uma das primeiras movimentações decorrentes do acordo político entre o Palácio do Planalto e o Centrão para construir uma base de apoio no Congresso para o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

PRISÕES – Desde a sexta-feira (8), Machado e Carvalho estão presos no Cotel, em Abreu e Lima. As prisões deles têm validade de cinco dias, mas podem ser prorrogadas ou convertidas em preventivas.